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11 / 12 / 2017 - Por Jean Valério

Mapeamento identifica modelos de negócios inclusivos70% as iniciativas de impacto social do RN funcionam sem doações ou filantropia.

O Sebrae no Rio Grande do Norte realizou um levantamento inédito no estado para identificar e traçar um perfil dos negócios e iniciativas de impacto social, que dão lucro financeiro mas, sobretudo, beneficiam ou ajudam a solucionar problemas de comunidades. A maior parte dos empreendimentos com esse perfil estão instalados na região da Grande Natal e Litoral Leste, atuando na área de serviços e tecnologia verde. O mapeamento constatou que 70% dos negócios inclusivos do RN já sobrevivem sem filantropia ou doações, o que demonstra a viabilidade econômica dessas empresas.

O Mapeamento dos Negócios de Impacto Social no RN foi apresentado na terceira edição do Seminário da Iniciativa Incluir Nordeste, promovida pelo Sebrae e Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) em Natal nesta quinta-feira (7). Executado pela empresa Sementes Negócios, o estudo será complementado com um levantamento em campo dos negócios que podem ser inseridos nessa categoria. As empresas serão atendidas pelo Projeto de Desenvolvimento de Negócios de Impacto Social, que investirá um volume de R$ 4 milhões em ações nessa área e para preparar o ecossistema de negócios inclusivos no estado.

“Nossa intenção é atender 400 empresas, uma parte produtores rurais, com ações de inclusão produtiva. A ideia identificar mais empresas com com atuação nessa área e melhorar o processo de gestão”, explica Mona Paula, analista do Sebrae que integra o projeto.

De acordo com o mapeamento, 28% dos negócios que atuam o impacto social no Rio Grande do Norte afirmaram que para evoluir precisam de recursos ou de investidores. Já 24% acreditam que precisam de mais clientes ou ampliar as vendas, enquanto 14% dizem que o problema está na falta de comunicação. Mas uma parte admite que a expansão do negócio está atrelada à gestão. 14% afirmam que precisam de acelerar a empresa e 1% melhorar a gestão.

“Às vezes, esses empresários não conseguem ver que o problema mesmo está na gestão do negócio e é isso que queremos trabalhar para torná-los competitivos”, ressalta Mona Paula. A proposta do Sebrae é impulsionar essas empresas, oferecendo consultoria nas áreas mais frágeis. No início do próximo ano, a instituição pretende lançar um edital de pré-aceleração de negócios de impacto social para atingir o ápice produtivo em curto tempo.

Negócios inclusivos que já estão em operação provam que isso é possível. Durante o Seminário da Iniciativa Incluir Nordeste, foram apresentados modelos de negócios que são casos de sucesso na região. Um deles é o Saladorama, um delivery de saladas orgânicas que surgiu para melhorar os hábitos alimentares das pessoas que moram em favelas. A empresa tem como proposta democratizar o acesso a alimentação saudável e ao mesmo tempo ser uma fonte de renda para moradores das comunidades.

Todos os 60 gêneros disponiveis no cardápio são obtidos localmente de produtores familiares que cultivam as hortaliças de forma agroecológica para oferecer uma opção de alimentação saudável, personalizada e com custo acessível.

Salada nas comunidades

A empresa começou a funcionar no Rio de Janeiro em março de 2015, chegando a faturar R$ 300 mil logo no primeiro ano de estreia. A Saladorama é considerada o primeiro negócio social do Brasil. “É um negócio feito na comunidade, pela comunidade e para a comunidade. Atuamos com cozinhas bases dentro das Comunidades empregando capacitando e empoderando os moradores”, diz Isabela Ribeiro, uma recifense que responde pela Saladorama no Nordeste.

Durante o evento, também foi apresentado o caso do Adapta Sertão, que tecnologias sociais para tornar famílias mais produtivas em uma das regiões mais secas do Brasil, o semiárido nordestino. Trata-se de uma coalizão de organizações que atuam nesse perímetro, buscando viabilizar estratégias e tecnologias sociais para adaptação a mudança climática da agricultura familiar.

Outro exemplo de negócio social bem sucedido vem do Estado vizinho Ceará. Idealizado por Priscila Veras, o projeto Muda Meu Mundo coloca agricultura familiar como solução para a sustentabilidade. A ideia é simples: leva noções de agroecologia – que tem como uma das premissas a não utilização de defensivos químicos e agrotóxicos no cultivo de gêneros alimentícios – a pequenos produtores, melhora e escoa a produção, ampliando em até 50% a renda dos agricultores cearenses.

“70% dos alimentos que são consumidos no Brasil vêm da agricultura familiar, não do agronegócio. Somente no Rio Grande do Norte, 24% das terras potiguares são destinadas a esses pequenos empreendedores. A grande questão não é ignorar o agronegócio, que gera PIB, commodities, mas fortalecer a agricultura familiar, que, no Brasil, tem sua maior concentração no Nordeste”, destaca Priscila Veras.

Nesta terceira edição, o seminário trouxe a Natal em sua programação donos de pequenos negócios e especialistas no tema. O encontro teve seis painéis sobre a nova realidade dos empreendimentos de impacto social no Brasil; inovação; tecnologia; e impacto no ecossistema regional.Durante a aberura do evento, o diretor técnico do Sebrae-RN, João Hélio Cavalcanti, chamou a atenção para a necessidade de um modelo alternativo de negócios, que vá além da produção e do lucro.

“Neste evento, estamos contribuindo para a construção de um novo modelo de negócio, focado na inclusão produtiva. Estamos indo muito além dos pequenos negócios, do empreendedorismo e, principalmente, do assistencialismo. Queremos, e vamos conseguir, incluir no sistema capitalista empreendedores que até aqui estavam à margem dos negócios, com boas ideias voltadas para a solução sustentável de problemas locais”.

Para o diretor, é imprescindível discutir sobre o estímulo ao aumento do fluxo de capital de impacto para negócios produtivos, assimo como a articulação de parcerias que resultem em políticas públicas que facilitem a criação de um ambiente favorável a negócios inclusivos e geração de conhecimento sobre potenciais mercados inclusivos, mapeando e compartilhando boas práticas do setor.

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