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15 / 07 / 2015 - Por Jean Valério

A mina de ventosRN já recebeu R$ 10 bilhões em investimentos em eólica e já acumula mais de 2 gigawatts de potência instalada.

Foto: Demis Roussos

Foto: Demis Roussos

Por Louise Aguiar – O Rio Grande do Norte já recebeu em torno de R$ 10 bilhões em investimentos em energia eólica e se prepara para receber outros R$ 15 bilhões nos próximos quatro anos. São mais de 2 gigawatts de potência instalada, considerada a maior capacidade de produção do Brasil. Atualmente são 78 parques de aerogeradores em operação e outros 98 em fase de implantação. Mesmo com tanta pujança na atividade, o RN precisa enfrentar alguns desafios para continuar no topo.

O próximo leilão acontece em julho em Brasília e o estado tem alguns desafios a superar para emplacar novos projetos no pregão. Segundo o diretor do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (Cerne) e presidente do Sindicato das Empresas do Setor Energético do RN (Seern), Jean Paul Prates, o estado precisa agilizar a concessão das licenças de operação para os parques que já estão implantados e também para aqueles que vão concorrer no próximo leilão.

Jean Paul Prates, diretor do CERNE.

Jean Paul Prates, diretor do CERNE.


“O Idema tem focado, e com certa razão, em liberar as licenças para os parques que estão concorrendo aos leilões, até porque existe um prazo legal para isso. Mas precisamos dar atenção aos parques que ficaram prontos e precisam das licenças de operações, que são tão ou mais importantes do que esses parques novos que ainda irão concorrer”, frisa Prates. O Corpo de Bombeiros é uma das preocupações, porque segundo Jean Paul, a demora em conceder a documentação necessária é considerada ainda maior.
O principal, emenda o especialista, é não perder o ritmo, e se manter acompanhando os projetos, tanto os novos quanto os já construídos. Outro gargalo que o Rio Grande do Norte enfrentou durante muito tempo foi a questão das linhas de transmissão, mas segundo Prates, o problema já foi solucionado. “Essas questões já estão basicamente equacionadas. Aquela linha atrasada foi liberada em novembro do ano passado e os novos parques já estão considerando os novos aprimoramentos de linhas e expansões que o governo já licitou e concedeu. Elas estão em construção”, acrescenta.

Ao contrário do vice-presidente da Fiern, Sérgio Azevedo, que disse em entrevista à esta Negócios.net que o estado poderia não participar dos próximos leilões devido à problemas com linhas de transmissão, rentabilidade dos parques e acesso ao crédito, Jean Paul Prates considera como certa a participação do RN no pregão de julho, com boas condições de competir com a Bahia e uma nova região que acaba de surgir no mapa eólico, o Piauí.

“O Ceará está se reorganizando em relação à energia eólica e solar, porque se deu conta de que é preciso fazer uma severa reformulação nas políticas de atratividade de investimentos deles. A recuperação do lugar deles nos leilões é bom para o RN, porque nossa visão é de que o Ceará não é um competidor contrário. Somos da mesma bacia de ventos e juntos temos muito mais força de lutar do que separados”, comenta.

Atualmente os dois gigawatts de energia produzida estão sendo enviadas para o sistema nacional. A estimativa é que, volumetricamente, esse potencial energético esteja atendendo estados vizinhos e o próprio Rio Grande do Norte.
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Investimentos levaram desenvolvimento ao interior
Os R$ 10 bilhões que as empresas de energia eólica já investiram no Rio Grande do Norte levaram desenvolvimento significativo ao interior do estado. João Câmara, uma das cidades que mais concentra parques em todo o RN, se transformou com a construção de pousadas, restaurantes, hotéis e outros equipamentos. Tudo para atender a demanda gerada pelos parques, que chegam a empregar até 300 pessoas em sua fase de construção.

Muitas cidades, entretanto, já passaram da fase de euforia, já que os parques hoje estão prontos e operando, gerando menos empregos. O alerta que se faz, emenda Jean Paul Prates, é que as prefeituras e o próprio governo do estado criem mecanismos para manter os investimentos e aquilo que foi conquistado pelas economias desses municípios, principalmente na região do Mato Grande e em Serra de Santana.
“A tendência é que a atividade econômica decaia um pouco depois que a construção do parque é finalizada, então nossa sugestão é emendar com novos investimentos, incentivos a outras atividades econômicas, treinamento de pessoas, para aproveitar o patrimônio e aquilo que foi construído e montado com dinheiro da época dos parques, como pousadas, postos de gasolina, restaurantes, para que continuem prosperando”, finaliza.

Um terço dos R$ 10 bilhões em investimentos gerados desde 2009 no estado é de compra direta para as cidades que sediam os parques. Uma delas é João Câmara, que entre 2008 e 2014 teve seu PIB incrementado em 90%, devido ao aquecimento gerado na economia local. “Isso acontece principalmente no período de construção, que há geração de emprego, investimento e reforma em pousadas, restaurantes e comércio em geral”, destaca o engenheiro e especialista técnico do Seern, João Agra.

Os investimentos também promoveram uma especulação imobiliária na região e maior arrecadação de impostos como o ISS. As perspectivas de agora em diante são as melhores possíveis. “Temos hoje um mercado em amplo desenvolvimento porque existe a determinação do governo federal em diversificar a matriz energética brasileira, se investir em outras fontes de energias renováveis. Não podemos mais depender somente da matriz hídrica”, acrescenta o engenheiro.

João Agra, Engenheiro do CERNE, diz que geração de emprego atinge o pico na construção dos parques.

João Agra, Engenheiro do CERNE, diz que geração de emprego atinge o pico na construção dos parques.

Histórico
O Rio Grande do Norte é hoje o principal estado no que diz respeito à capacidade instalada de produção de energia eólica, com mais de dois gigawatts instalados e em produção. O estado foi campeão do primeiro leilão realizado em 2009, quando quase todos os projetos aprovados vieram para cá. O sucesso se repetiu em 2010, 2011 e 2012 e, no início de 2014, a maioria desses parques entrou em operação.
Em fevereiro de 2014 o RN atingiu a marca de um gigawatt de potência instalada e agora em maio de 2015 alcançou a marca de ser o primeiro estado brasileiro com dois gigawatts de potência instalada e operando. Segundo o engenheiro João Agra, o estado tem hoje capacidade superior a países como Grécia, Bélgica, Noruega e Argentina.

“Se isolarmos o Brasil de todo o resto da América do Sul, o Rio Grande do Norte tem maior capacidade eólica instalada do que toda a América do Sul com exceção do Brasil. Esse sucesso todo permitiu que pela primeira vez o país entrasse no top 10 mundial de produção de eólica, sendo o 10º país do mundo em capacidade instalada acumulada, com 5,9 gigawatts”, finaliza.

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